segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Esperança


Calmamente, vago em mim mesma

Vago nas poucas recordações

Que em mim conseguem chegar

Aquele passado tão perto, e tão longe

Onde meus sentidos em ti

Insistiam em ficar.


Estávamos vivendo,

Não importava o amanhã

Que agora é triste.

Nenhum rancor havia.

Não nos importava o entardecer,

Ou ao menos se anoitecia.


Vivi no passado, você.

Eu tinha uma ilusão guardada,

Era abafada por uma esperança.

A esperança sentida

De toda a minha vida que eu queria

Me tornar você...


As palavras se foram...

Nada consigo expressar agora.

Era suave o meu olhar

Que um dia te pertenceu.

E hoje em desespero

Tentar encontrar o seu...



Razão

 


A noite sopra pela escuridão

Um grito de agonia e dor

Esse grito me leva, me atrai

Quer por onde for...


Sigo-o, pois falta-me tudo

Me falta a luz do seu olhar

Que apagara tantas vezes

A razão do meu chorar.


Preciso gritar, desabafar angústias

Que em meu peito se espalha

Quero apagar tantas imagens

Que chegam a cobrir a tua.


Tua imagem ainda guardo

E não me entristece lembrar

Mas lembro-me dela pela falta de outras

Que me vem, mas não deixo ficar.


Meu grito é maior que a própria noite

E se perde em minha solidão...

Você não sabe, ou finge esquecer...

Ainda existo, mesmo sem razão, mesmo sem você.


Sonho

 

Quando caminhamos lado a lado,
imagino que sempre estaremos juntos.

Penso em como somos belos
quando, sorrindo,
nos entregamos à vida
para simplesmente amar.

À noite, fico só.
E você se vai.

Mas a noite também traz
a certeza de que me procuras,
assim como te procuro
e já não te encontro.

Esperamos —
silenciosos, temerosos —
um novo dia.

Noites passam em silêncio.
Dias nos encontram à espera.

A espera
que nos sustenta no sonho,
num sonho
onde ainda é possível amar.


Vento Venturini

 


As luzes se acenderam

E todos contemplamos

Atraídos pela magia, aquele som;

Musicalidade complexa,

Infinita declaração de amor

Em forma de canção,

Ou seria em forma de vento?


Vento que vinha de Venturini,

Poeta nato, apaixonante e apaixonado.

Cadê você, Espanhola,

Que nem ao menos tem os olhos

Azuis como todo o azul do céu?

E nos olhos castanhos da platéia 

Sorrisos brotavam misturados

Com as lágrimas provocadas pelo

Efeito daquela poesia.


Som místico, trabalha melhor nossa musicalidade.

Desperta em nós o sonho

De nos tornarmos tão puro

Como o universo na vida que a gente

Cansou de procurar.


Afinal, foi a primeira vez

Que todos nós vimos o céu

Se unindo ao mar.

E quem sabe um dia, não tão distante,

E por outra mera distração,

Conseguiremos formar o nosso

Mais perfeito horizonte.


Enfim, foi assim, de verdade, a primeira vez

Que todos nós vimos,

Um pedacinho do céu

Se confundir com todo o azul do mar.


Dentro daquela janela

 

Sempre quando olho aquela janela
Relembro os seus olhos
Tocarem os meus,
Que choram de saudades
De você e de seu corpo.

Saudades das suas mãos que me tocavam,
De seus lábios que me beijavam,
De seu cheiro,
De seus cabelos macios
Por onde meus dedos escorregavam.
Na calma onde vivíamos,
As noites de nós na nossa cama,


O tempo não volta,
Nossa fala e nosso silêncio,
Num amor simples.
E te amava
Como eu podia.

Ainda me perco no mesmo espaço
Onde nossos pés passaram.
Ainda divago nos termos
Da nossa conversa.
Separação sofrida e vã.

Hoje, eu te entendo,
Mais do que sempre, meu amor.
Meu corpo cansou de se agitar.
Minha mente cansou de me prender.

Mas agora,
Você já não está aqui,
Justo na minha liberdade,
Que volta ao êxtase
Na tua presença lembrada.

E hoje, agora, nesse instante,
Como eu te queria
Aqui e agora,
Dentro dessa janela.

Eu Solitário

 


O que se passa na mente
De um ser solitário
Que acha que o mundo o esqueceu;
Que acredita que a vida passa
E nem ao menos acena;
Que sabe que nenhum amor será seu?

O que sente o coração
De um ser solitário
Que quando bate
É fora do compasso;
Que quando sofre
É por puro acaso;
Que quando ama
Ninguém o sente?

Que será que acontece quando
Um ser solitário
Se esquece do mundo,
Se esquece da vida,
Se esquece do amor?

O coração é forçado a bater,
É forçado a amar e a sofrer,
Pela vida esquecida,
Pelo mundo inexistente,
Pelo amor cego e incoerente.

É isso o que acontece
A um ser solitário
Que não se esqueceu de viver,
Apesar de ter sido esquecido.

Música de Fundo

 


A mente flui, a música segue ao fundo. 

A trilha sonora do tão conhecido aperto no peito. Sonhos espalhados em várias noites mal dormidas. 

O que fazer? A quem culpar? Como curar? Será essa a beleza do amor? A incerteza da vida? 

Um bilhão de pessoas no mundo, todas caminhando sem sequer enxergar ou sentir. Fragmentos de olhar ao som de palavras curtas, cumprimentos vazios de expressão. 

Somos mundos à parte, soltos no universo infinito, com emoções latentes inexpressíveis e presas em peitos arfantes. 

Somos amantes não correspondidos, cheios de sentimentos limitados e restritos a um local onde ninguém mais tem acesso. 

Somos inacessíveis.